sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Moody's revê em baixa avaliação da dívida portuguesa

Mais um puxão de orelhas ao Governo, mas que vai ficar a doer a todos nós especialmente e directamente aos que têm empréstimos bancários, que vão ver as prestações aumentar, e indirectamente a todos nós pela desaceleração da economia devido ao aumento dos custos do dinheiro.

Cá fica o artigo do público.

Moody's revê em baixa avaliação da dívida portuguesa

29.10.2009 - 10h09

Por PÚBLICO

A Moody's reviu hoje em baixa o outlook da dívida portuguesa. A avaliação da dívida do Estado passa, assim, de "estável" para "negativa".

A notação financeira atribuida à República Portuguesa mantém-se em "Aa2", mas a alteração da avaliação de risco da dívida abre caminho a que, nos próximos meses, a agência possa alterá-la.

Uma alteração em baixa da notação financeira traduz-se num aumento do custo que o Estado terá de suportar para contrair dívida no estrangeiro.

A Moody's justifica o corte com “os desafios estruturais para a economia” e a “aparente falta de motivação dos políticos para os resolverem”.

A agência de notação financeira diz que “o impacto directo da crise global [passou] largamente ao lado de Portugal, de tal forma que a performance da economia e a deterioração da política orçamental do Governo estiveram em linha ou até melhor que os parceiros da eurozona”. O problema, sublinha o comunicado da Moody’s, é que “não parece haver uma motivação do Governo para agir”.

Por outro lado, a Moody’s prevê “um crescimento fraco, prejudicando as receitas, e com a dívida a aumentar ao longo do tempo”. A agência assume que “a principal preocupação” é o “fraco potencial de crescimento”, atribuível a uma “falta de vontade dos sucessivos governos para restaurarem a competitividade”. De resto, os peritos da Moody’s apontam a “falta de competitividade” como um problema recorrente da economia portuguesa.

A continuar a baixa competitividade, afirma a agência de notação financeira, “é provável que a tendência de crescimento da economia se mantenha relativamente baixa, limitando a capacidade do Governo para sair deste problema quando a retoma económica chegar”.

Lembrando que na primeira década da moeda única as contas do Estado “falharam os critérios do Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC)múltiplas vezes” e que as autoridades “recorreram fortemente a medidas irrepetíveis”, a Moody’s considera que “quando o Orçamento ficou abaixo do tecto dos 3 por cento [do PIB definidos no PEC], não foram feitos esforços para o melhorar”.

Para o futuro, a Moody’s afirma que vai “monitorizar de perto” a evolução das finanças públicas, identificando se “as reformas significativas são finalmente tomadas para lidar com os problemas latentes” da economia nacional.

O sexo dos anjos e uma questão bizantina!



Todos os dias perto das 9, a Antena 1 transmite um programa muito interessante, sobre a proveniência dos termos utilizados na língua portuguesa. Hoje o tema foi a relação entre "O sexo dos anjos" e uma "Questão bizantina".

Toda vez que o assunto beira a frivolidade ou a inutilidade, logo alguém diz tratar-se de uma questão "bizantina" ou que se está a discutir o sexo dos anjos. Que relação haverá entre a antiga cidade de Bizâncio e esse uso de seu gentílico?

Bizantino é, rigorosamente, aquilo que se refere a Bizâncio. Daí "arte bizantina", por exemplo. Bizâncio, cidade fundada no século 7º a.C., recebeu esse nome por influência de seu edificador, Bizas de Mégara.

Sob o comando do imperador Constantino 11, foi rebaptizada Constantinopla, nome cujo significado outro não é que "cidade de Constantino" (palavra formada do antropónimo Constantino acrescido do termo grego "pólis"). Foi sede do Império Romano do Oriente até ser retomada pelos turcos, em 1453.

Ocorre que, enquanto Constantino 11 comandava a resistência aos maometanos, as autoridades cristãs travavam caloroso debate sobre o sexo dos anjos, desafiadora questão teológica da época. Enquanto os religiosos procuravam saber se os anjos tinham sexo, o imperador foi morto ao lado de milhares de cristãos, cedendo lugar aos novos conquistadores, comandados por Maomé 2º.

Como tudo é relativo, a questão naquele momento pareceu pouco oportuna, frívola mesmo. Daí o sentido pejorativo que a expressão adquiriu. Em tempo: Bizâncio, desde 1930, passou a chamar-se Istambul (forma turca do latim Constantinopla).

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Diz-me onde moras.... (por Miguel Esteves Cardoso)

Diz-me onde moras... (por Miguel Esteves Cardoso)

Um dos grandes problemas da nossa sociedade é o trauma da morada. Por exemplo, há uns anos, um grande amigo meu, que morava em Sete Rios, comprou um andar em Carnaxide.
Fica pertíssimo de Lisboa, é agradável, tem árvores e cafés. Só tinha um problema. Era em Carnaxide.
Nunca mais ninguém o viu.
Para quem vive em Lisboa, tinha emigrado para a Mauritânia!
Acontece o mesmo com todos os sítios acabados em -ide, como Carnide e Moscavide. Rimam com Tide e com Pide e as pessoas não lhes ligam pevide.
Um palácio com sessenta quartos em Carnide é sempre mais traumático do que umas águas-furtadas em Cascais. É a injustiça do endereço.

Está-se numa festa e as pessoas perguntam, por boa educação ou por curiosidade, onde é que vivemos. O tamanho e a arquitectura da casa não interessam. Mas morre imediatamente quem disser que mora em Massamá, Brandoa, Cumeada, Agualva-Cacém, Abuxarda, Alformelos, Murtosa, Angeja... ou em qualquer outro sítio que soe à toponímia de Angola.

Para não falar na Cova da Piedade, na Coina, no Fogueteiro e na Cruz de Pau. (...)

Ao ler os nomes de alguns sítios – Penedo, Magoito, Porrais, Venda das Raparigas, compreende-se porque é que Portugal não está preparado para entrar na Europa.

De facto, com sítios chamados Finca Joelhos (concelho de Avis) e Deixa o Resto (Santiago do Cacém), como é que a Europa nos vai querer integrar?

Compreende-se logo que o trauma de viver na Damaia ou na Reboleira não é nada comparado com certos nomes portugueses.

Imagine-se o impacte de dizer 'Eu sou da Margalha' (Gavião) no meio de um jantar.

Veja-se a cena num chá dançante em que um rapaz pergunta delicadamente 'E a menina de onde é?', e a menina diz: 'Eu sou da Fonte da Rata' (Espinho).

E suponhamos que, para aliviar, o senhor prossiga, perguntando 'E onde mora, presentemente?', Só para ouvir dizer que a senhora habita na Herdade da Chouriça (Estremoz).

É terrível. O que não será o choque psicológico da criança que acorda, logo depois do parto, para verificar que acaba de nascer na localidade de Vergão Fundeiro?

Vergão Fundeiro, que fica no concelho de Proença-a-Nova, parece o nome de uma versão transmontana do Garganta Funda.

Aliás, que se pode dizer de um país que conta não com uma Vergadela (em Braga), mas com duas, contando com a Vergadela de Santo Tirso ? Será ou não exagerado relatar a existência, no concelho de Arouca, de uma Vergadelas?

É evidente, na nossa cultura, que existe o trauma da 'terra'.

Ninguém é do Porto ou de Lisboa.

Toda a gente é de outra terra qualquer. Geralmente, como veremos, a nossa terra tem um nome profundamente embaraçante, daqueles que fazem apetecer mentir.

Qualquer bilhete de identidade fica comprometido pela indicação de
naturalidade que reze Fonte do Bebe e Vai-te (Oliveira do Bairro).

É absolutamente impossível explicar este acidente da natureza a amigos estrangeiros ('I am from the Fountain of Drink and Go Away...').
Apresente-se no aeroporto com o cartão de desembarque a denunciá-lo como sendo originário de Filha Boa.
Verá que não é bem atendido. (...) Não há limites. Há até um lugar
chamado Cabrão, no concelho de Ponte de Lima !!!
Urge proceder à renomeação de todos estes apeadeiros.
Há que dar-lhes nomes civilizados e europeus, ou então parecidos com os nomes dos restaurantes giraços, tipo : Não Sei, A Mousse é Caseira, Vai Mais um Rissol. (...)

Também deve ser difícil arranjar outro país onde se possa fazer um
percurso que vá da Fome Aguda à Carne Assada (Sintra) passando pelo Corte Pão e Água (Mértola), sem passar por Poriço (Vila Verde), e acabando a comprar rebuçados em Bombom do Bogadouro (Amarante), depois de ter parado para fazer um chichi em Alçaperna (Lousã).


(Miguel Esteves Cardoso)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Grande Benfica!

Não vi o jogo, mas fica aqui para o registo! :) Pelos jornais estrangeiros, só para não dizerem que sou imparcial!

Everton laid waste by the destroying Angel of Benfica - European, Football - The Independent

O governo e os casamentos gay.

Governo de combate dá prioridade a casamentos 'gay'


Esta notícia faz-me rir, .... para não chorar...

Quer dizer, terminada teoricamente a crise na Zona Euro, vamos ter de novo que voltar a cumprir os objectivos macroeconómicos definidos pelo pacto de estabilidade! Como português e conhecedor da casa onde moro, sei que vai ser extremamente difícil, porque a nossa máquina estatal é pesada, a nossa economia pouco produtiva e com uma produtividade abaixo da média.

E agora dizem-me os jornais que a prioridade do governo para já são os casamentos gay??

Isto começa a fazer-me confusão... ou serei eu que estou a ficar esquisito?

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O coveiro e o assessor

Porque também é bom que vamos meditando nestas coisas.

Ora atentem lá nesta coisa vinda no Diário da República nº 255 de 6 de Novembro 2008:

EXEMPLO 1
No aviso nº 11 466/2008 (2ª Série), declara-se aberto concurso no I.P.J. Para um cargo de "ASSESSOR", cujo vencimento anda à roda de 3500 EUR (700 contos). Na alínea 7:... "Método de selecção a utilizar é o concurso de prova pública que consiste na "... Apreciação e discussão do currículo profissional do candidato."

EXEMPLO 2
No aviso simples da pág. 26922, a Câmara Municipal de Lisboa lança concurso externo de ingresso para COVEIRO, cujo vencimento anda à roda de 450 EUR (90 contos) mensais. Método de selecção: Prova de conhecimentos globais de natureza teórica e escrita com a duração de 90 minutos. A prova consiste no seguinte: 1. - Direitos e Deveres da Função Pública e Deontologia Profissional; 2. - Regime de Férias, Faltas e Licenças; 3. - Estatuto Disciplinar dos Funcionários Públicos. 4. - Depois vem a prova de conhecimentos técnicos: Inumações, cremações, exumações, trasladações, ossários, jazigos, columbários ou cendrários. 5. - Por fim, o homem tem que perceber de transporte e remoção de restos mortais. 6. - Os cemitérios fornecem documentação para estudo. Para rematar, se o candidato tiver: - A escolaridade obrigatória somará + 16 valores; - O 11º ano de escolaridade somará + 18 valores; - O 12º ano de escolaridade somará + 20 valores. 7. - No final haverá um exame médico para aferimento das capacidades físicas e psíquicas do candidato.
ISTO TUDO PARA UM VENCIMENTO DE 450 EUROS MENSAIS!


Enquanto o outro, com 3,500!!! Só precisa de uma cunha.

Vale a pena dizer mais alguma coisa?!

Há que ter moralidade! Por estas e por outras, é que existem Coveiros Cultos e Acessores ...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Gripe A

Pensamento do dia: As primeiras 49 mil vacinas contra a gripe A vão chegar esta terça-feira a Portugal. Nesta primeira fase do plano de prevenção contra o vírus do H1N1, os grupos considerados prioritários vão receber a vacina. Isto faz-me pensar...

1. Porque é que os políticos são grupo prioritário? Passam meses sem pôr o pé no hemiciclo e não acontece nenhuma desgraça...

2. Porque é que não houve nenhum comunicado a desmentir o que se diz sobre os efeitos perversos da vacinação? Porque é que há médicos que se recusam a tomar a vacina?

Às vezes sinto-me um boneco na mão desta gente... e ainda por cima eu contribuo para lhe pagar os ordenados.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Pensamento do dia

Não esmoreça nem desista.
Trabalhe duro!
Milhões de   pessoas
que vivem do Rendimento Mínimo,
sem trabalhar,  dependem de si….


sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Os comboios e as amizades!

Quando ia apanhar o comboio, uma pessoa que tinha acabado de chegar pergunta, muito naturalmente, para onde vai este comboio?

Se essa pessoa tem estado na estação quando o comboio chega, não teria qualquer dúvida.

No mundo dos Humanos as coisas são similares e podemos facilmente fazer a analogia. Muitos dos nossos conhecimentos sobre as pessoas com quem nos damos são comboios que já estão na estação e não sabemos ao certo para onde vão.

As amizades instantâneas fazem-me confusão.

Valorizemos então as nossas amizades antigas e duradouras, porque essas são comboios que chegam quando já estamos na estação, já sabemos para onde vão e sabemos com o que podemos contar.